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Veja cronologia dos recentes confrontos entre Israel e o Hizbollah

03/08/2006 - 22h53

Veja cronologia dos recentes confrontos entre Israel e o Hizbollah

da Folha Online

Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah estão em conflito armado desde o último dia 12, quando dois soldados israelenses foram seqüestrados. Outros oito militares foram mortos no ataque. Desde então, Israel tem lançado ataques ao Líbano por terra, ar e mar. O Hizbollah também lança foguetes contra o território israelense.

O saldo dos ataques é de centenas de mortos [a maioria civis libaneses] e cidades libanesas inteiras destruídas, sem água, luz e telefone. Algumas cidades israelenses tiveram prédios danificados.

Veja a seguir a cronologia da crise:

12 de julho: Um ataque do grupo terrorista libanês Hizbollah contra Israel deixa oito soldados israelenses mortos e dois militares seqüestrados e se torna o estopim da atual escalada ocorrida no Oriente Médio. Israel responde com cerca de quarenta ataques aéreos.

13 de julho: O Exército israelense bombardeia o aeroporto de Beirute e outras 21 posições e bases do Hizbollah e do Exército libanês, deixando 46 civis mortos. O Hizbollah dispara dezenas de foguetes em direção ao norte de Israel, matando três pessoas. Começa o cerco aéreo e marítimo israelense contra o território do Líbano.

14 de julho: Novos ataques aéreos atingem o subúrbio sul de Beirute, bastião do Hizbollah. O premiê israelense, Ehud Olmert, impõe três condições para um cessar-fogo: libertação dos soldados, fim dos disparos de foguetes e a aplicação da resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o desarmamento do Hizbollah. Mais de cem foguetes são lançados em direção a Israel, matando dois civis. O líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, declara 'guerra aberta' contra Israel. Uma fragata israelense é atingida na costa do Líbano, deixando um saldo de quatro marinheiros mortos.

15 de julho: Israel promove incursões na região da fronteira e nos portos de Beirute, Jounyeh e Trípoli. O quartel-general do Hizbollah em Beirute é destruído, em um total de 38 civis mortos. Tiberíades é atacada por foguetes.

16 de julho: Mais de 60 civis são mortos em ataques israelenses. Oito israelenses são mortos em um ataque com foguetes sem precedentes sobre Haifa. O Exército israelense pede à população que deixe o sul do Líbano. O G8 faz um apelo à interrupção dos combates e propõe o envio de uma força de estabilização.

17 de julho: Baalbeck, bastião do Hizbollah, é atingido pelos ataques. Foguetes atingem Haifa, São João de Acre e os arredores de Nazaré. O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, visita Israel e pede "uma trégua humanitária imediata". Um ferryboat fretado por Paris retira 900 pessoas, sendo 750 franceses, enquanto centenas de outros estrangeiros continuam a fugir. Cinqüenta e nove civis morrem nos arredores de Beirute, 12 em um ataque contra um microônibus. Olmert denuncia "o Eixo do Mal" Teerã-Damasco.

18 de julho: Incursões contra quartéis do Exército libanês terminam com 11 militares mortos. Operações de retirada de cidadãos estrangeiros são intensificadas. Os emissários da ONU chegam a Jerusalém. Olmert descarta um cessar-fogo.

19 de julho: Israel amplia seus bombardeios aéreos e navais, deixando ao menos 72 civis mortos. O Gabinete de Segurança israelense autoriza a manutenção das operações no Líbano "sem limite de tempo". O Hizbollah responde que pode continuar a bombardear Israel "durante meses". Mísseis são disparados contra o centro de Beirute. A cidade de Nazaré é alvo pela primeira vez de foguetes, deixando dois mortos. Na fronteira, confrontos entre combatentes do Hizbollah e soldados israelenses infiltrados no Líbano acabam com dois soldados israelenses mortos. Ocorre a primeira retirada em massa de americanos.

20 de julho: Novos confrontos entre o Hizbollah e soldados israelenses em território libanês deixam dois membros do grupo terrorista mortos. Se multiplicam os apelos internacionais por um cessar-fogo, principalmente do Vaticano, de Moscou e do secretário-geral das Nações Unidas. Intensificam-se as retiradas de estrangeiros do Líbano. Quatro soldados israelenses morrem em conflitos com o Hizbollah no sul do Líbano, segundo um balanço anunciado pelo canal Al Jazira.

21 de julho: Israel alerta civis libaneses a deixarem vilas na região da fronteira e convoca milhares de soldados da reserva, o que indica a intensificação da ofensiva terrestre. A Força Aérea israelense bombardeia edifícios utilizados pelo Hizbollah e locais usados para o lançamento de foguetes. A campanha de Israel no sul do Líbano força ao menos 500 mil pessoas a deixarem suas casas. Bombas atingem pontes e estradas, dificultando a situação dos civis.

22 de julho: Israel toma posições no sul do Líbano, após se envolver em um confronto terrestre com membros do Hizbollah, no primeiro grande combate terrestre desde o início da crise. Foguetes lançados contra o norte de Israel deixam ao menos dois feridos. Forças israelenses bombardeiam centrais de transmissão de emissoras de televisão e antenas retransmissoras de sinais de telefonia celular para atingir a infra-estrutura das comunicações libanesas.

23 de julho: Israel se manifesta favoravelmente ao envio de uma força militar "formada por países da União Européia" no Líbano. Hizbollah mata duas pessoas em ataque contra a cidade de Haifa. Estrangeiros continuam a serem retirados em operações promovidas por vários países, como Reino Unido, Estados Unidos e Brasil. A secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, dá início a uma visita ao Oriente Médio para buscar uma saída para o conflito.

24 de julho: Condoleezza Rice apresenta propostas ao Líbano e a Israel com o objetivo de pôr fim ao conflito entre o Estado israelense e o Hizbollah, mas sustenta que um cessar-fogo somente poderá ser alcançado como parte de um plano mais amplo. Rice se reúne separadamente com o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, e com a ministra das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni. A Casa Branca ordena o envio urgente de ajuda humanitária às vítimas dos conflitos no Líbano. Dois pilotos da força aérea israelense morrem após a queda de um helicóptero no norte de Israel. O governo do Brasil já resgatou do Líbano 854 cidadãos brasileiros, dos quais 318 foram trazidos para o país em aviões da FAB. A Human Rights Watch revela que Israel utilizou bombas de fragmentação no Líbano.

25 de julho: Quatro membros das forças de observação das Nações Unidas no Líbano são mortos em um bombardeio israelense contra uma base da ONU no sul do Líbano. O Hizbollah anuncia que seus combatentes lançarão foguetes além da cidade de Haifa, no norte de Israel, e adotarão uma tática de guerrilha contra as tropas israelenses. Israel afirma ter matado um comandante do Hizbollah no sul do Líbano. O número de brasileiros que deixaram o Líbano, fugindo dos ataques, já chega a 1.095 pessoas. Condoleezza Rice conclui visita ao Oriente Médio e pede cessar-fogo duradouro. Exército de Israel cria zona de segurança no sul do Líbano e toma a cidade de Bint Jbeil, reduto do Hizbollah.

26 de julho: O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, defende a participação de especialistas das Nações Unidas na investigação que o governo israelense pretende realizar sobre o ataque que matou quatro observadores da ONU. Quinze países participantes da conferência internacional sobre o Líbano, em Roma, pedem a formação de uma força internacional sob o mandato da ONU para dar assistência à população libanesa, mas não chegam a nenhum acordo para exigir um cessar-fogo imediato. O governo libanês afirma que exigirá uma compensação de Israel pela "bárbara destruição" contra o povo do Líbano. O Hizbollah diz que o combate contra Israel entrou em nova fase e que o grupo não aceitará condições "humilhantes" para chegar a um cessar-fogo. A violência já deixou cerca de 400 mortos no Líbano, a maioria civis, e cerca de 40 mortos em Israel.

27 de julho: Aviões e artilharia israelenses realizaram novos ataques contra o Hizbollah no sul do Líbano. Governo libanês anuncia que os mortos na ação militar podem passar de 600. Outras 50 pessoas morreram em Israel --18 delas civis. O Exército de Israel indica que o Hizbollah está se espalhando por todo o Líbano. Mais dois vôos trazendo 375 brasileiros que estavam no Líbano chegam ao Brasil. Um total de 1.379 brasileiros já deixaram o Líbano. A rede terrorista Al Qaeda defende em um vídeo que o grupo "não irá se calar" diante dos ataques de Israel em Gaza e no Líbano. Os Estados Unidos impediram que o Conselho de Segurança da ONU condenasse os ataques de Israel contra um posto das Nações Unidas no Líbano, que deixou quatro mortos.

28 de julho: A Força Aérea israelense atacou cerca de 130 alvos em território libanês durante a madrugada. O principal objetivo da ação foi a cidade de Tiro, base regional do grupo terrorista Hizbollah e de onde parte a maioria dos foguetes Katyusha em direção a Haifa, no norte de Israel. O Hizbollah lançou uma descarga de foguetes Katyusha [de 20 km de alcance] contra a Galiléia e diferentes pontos do norte de Israel, sem deixar vítimas. Uma pesquisa divulgada pelo jornal "Yediot Aharonot" mostra que a maioria dos israelenses apóia um endurecimento da ofensiva no Líbano e a mobilização de novas unidades de reservistas --ontem Israel anunciou a convocação de 30 mil. Dos entrevistados, 71% disseram que o Exército deve atacar com mais força, contra 26% de opiniões contrárias.

29 de julho: Israel rejeitou a proposta da ONU (Organização das Nações Unidas) de uma trégua de três dias entre o seu Exército e o grupo terrorista libanês Hizbollah para permitir o atendimento às vítimas do conflito e o envio de comida e medicamentos ao sul do Líbano. O governo israelense acusou o Hizbollah de impedir a entrada de ajuda humanitária. O secretário-geral do Hizbollah, Hassan Nasrallah, prometeu atacar mais cidades do centro de Israel. A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, após reunir-se com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou esperar que um projeto de acordo com as principais condições para um cessar fogo entre Israel e Líbano comece a ser negociado, com as duas partes, na quarta-feira (2).

30 de julho: O Exército de Israel bombardeou o vilarejo libanês de Qana. Ao menos 56 pessoas morreram, entre elas 37 crianças. Líderes da França, Espanha, Alemanha, Egito, Brasil, Jordânia e outros países condenaram os ataques, pedindo cessar-fogo imediato. O governo de Israel concordou em suspender os ataques aéreos no sul do Líbano por 48 horas. O grupo terrorista libanês Hizbollah respondeu ao bombardeio com o lançamento de pelo menos 140 mísseis e foguetes sobre o norte de Israel, o maior ataque desde o início do conflito. Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) negociaram uma resposta ao ataque a Qana, tendo praticamente descartado a opção de "condená-lo", como havia pedido o secretário-geral Kofi Annan, por causa da oposição de Washington.

31 de julho: A aviação israelense lançou ataques aéreos contra alvos do Hizbollah, quebrando a promessa de manter um cessar-fogo aéreo por um período de 48 horas. O ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, disse em uma sessão do Parlamento que Israel não aceitará um cessar-fogo "imediato sem determinadas condições". O Gabinete de Segurança de Israel aprovou uma ampliação da ofensiva terrestre no Líbano e rejeitou um cessar-fogo até que uma força internacional seja deslocada para a região. O presidente da Síria, Bashar al Assad, determinou que o Exército sírio reforce o estado de preparação em razão da situação internacional e de "desafios regionais". A Síria também concordou em fornecer gasolina de sua reserva estratégica ao Líbano para compensar a falta do combustível provocada pelo bloqueio naval israelense. A violência entre Israel e Hizbollah já deixou cerca de 500 mortos no Líbano [a maioria civis, além de sete brasileiros] e 50 mortos em Israel [19 civis].

1º de agosto: Israel lançou um grande ataque no interior do Líbano e se envolveu em confrontos terrestres com o Hizbollah na cidade de Baalbek (nordeste do Líbano). O Ministério da Justiça de Israel afirma que cerca de 300 membros do Hizbollah --dos estimados 2.000 pertencentes ao grupo-- morreram em três semanas de ação no Líbano. O ministro israelense do Turismo, Isaac Herzog --membro do Gabinete de Segurança-- estima que a campanha militar no Líbano provavelmente ainda irá durar "uma dezena de dias". Ministros do Exterior de países da União Européia pediram "fim imediato das hostilidades no Líbano" e "um cessar-fogo sustentável". O Egito pediu às Nações Unidas, à Organização da Conferência Islâmica (OCI) e à Liga Árabe que investiguem o massacre cometido no domingo (30) por Israel na localidade de Qana.

2 de agosto: Hizbollah lançou 230 mísseis contra Israel, no maior ataque do grupo desde o início do conflito, matando ao menos um civil. Forças israelenses afirmam ter capturado cinco supostos membros do grupo terrorista em Baalbeck (leste). Israel anunciou mais dez dias consecutivos de ataques e pediu paciência e determinação para deixar o Exército "terminar seu trabalho". O Exército alega que mais de 700 posições de comandos do Hizbollah foram eliminadas por seu Exército, mas admite ter problemas para localizar as bases de lançamento dos foguetes. O governo do Líbano informou que, em três semanas de bombardeios, os israelenses causaram US$ 2 bilhões de prejuízo à infra-estrutura libanesa. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, expressou apoio à postura unificada da União Européia para resolver a crise e cancelou pela segunda vez uma reunião que debateria o envio de uma força multinacional à região.

3 de agosto: Hizbollah matou oito civis e quatro soldados israelenses, no dia mais mortífero para Israel desde o início do conflito. Governo israelense prepara nova etapa na ofensiva ao sul do Líbano para tomar o controle da região até o rio Litani. O líder do Hizbollah, xeque Hassan Nasrallah, condicionou um possível cessar-fogo à retirada de Israel do território libanês, mas ameaçou lançar foguetes contra Tel Aviv. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) estima que 880 mil pessoas já foram deslocadas devido ao conflito no Líbano. A Human Rights Watch afirmou em um relatório que o Exército de Israel aparentemente bombardeou deliberadamente civis libaneses e que alguns de seus ataques seriam crimes de guerra. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou que Israel quer uma força internacional de 15 mil homens no sul do Líbano antes de suspender ataques. Os 15 países do Conselho de Segurança das Nações Unidas passaram o dia em intensas negociações para esboçar uma resolução sobre a crise no Oriente Médio.

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