5.12.06

A Marca da Besta

 

Dentre todos os tópicos da Bíblia, talvez a marca da besta seja o que mais tem suscitado especulações e argumentações ridículas e bombásticas. Cristãos e não-cristãos debatem o significado de seu valor numérico. Mas o que diz, realmente, o texto bíblico?

O Número 666: Marca Registrada da Tribulação?

A questão central da Tribulação é: Quem tem o direito de governar, Deus ou Satanás? Deus vai provar que é Ele quem tem esse direito. Pela primeira e única vez na história, as pessoas terão uma data limite para aceitarem o Evangelho. Por enquanto, todos podem aceitar ou rejeitar essa mensagem em diferentes momentos da vida; alguns o fazem na infância, outros no início da fase adulta, outros na meia-idade, e alguns até na velhice. Mas, quando vier a Tribulação, as pessoas terão que tomar essa decisão de forma imediata ou compulsória por causa da marca da besta, de modo que toda a humanidade será deliberadamente dividida em dois segmentos. O elemento polarizador será precisamente a marca da besta.

A Bíblia ensina que o líder da campanha em defesa da marca da besta será o falso profeta, que está ligado à falsa religião (Ap 13.11-18). Apocalipse 13.15 deixa claro que o ponto-chave em tudo isso é adorar "a imagem da besta". A marca da besta é simplesmente um meio de forçar as pessoas a declararem do lado de quem estão: do Anticristo ou de Jesus Cristo. Todos terão que escolher um dos lados. Será impossível manter uma posição neutra ou ficar indeciso com relação a esse assunto. A Escritura é muito clara ao afirmar que os que não aceitarem a marca serão mortos.

O falso profeta vai exigir uma "marca" em sinal de lealdade e devoção à besta, e essa marca será "sobre a mão direita" – não a esquerda – "ou sobre a fronte" (Ap 13.16).

Toda a humanidade será forçada a escolher um dos lados: "...todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos" (Ap 13.16). O Dr. Robert Thomas comenta que essa construção retórica "abrange todas as pessoas, de todas as classes sociais, [...] ordenadas segundo sua condição financeira, [...] abrangendo todas as categorias culturais [...]. As três expressões são um recurso estilístico que traduz universalidade".[1] A Escritura é muito específica. O falso profeta vai exigir uma "marca" em sinal de lealdade e devoção à besta, e essa marca será "sobre a mão direita" – não a esquerda – "ou sobre a fronte" (Ap 13.16).

A palavra "marca" aparece em muitas passagens da Bíblia. Por exemplo, ela é usada várias vezes em Levítico, referindo-se a um sinal que torna o indivíduo cerimonialmente impuro, e está geralmente relacionada à lepra. É interessante notar que o modo como Ezequiel 9.4 usa a idéia de "marca" é semelhante ao de Apocalipse: "E lhe disse: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela". Nessa passagem, o sinal serve para preservação, assim como o sangue espalhado nas ombreiras das portas livrou os hebreus durante a passagem do anjo da morte, como relata o Livro do Êxodo. Em Ezequiel, a marca é colocada na fronte, semelhantemente à do Apocalipse. Todas as sete ocorrências da palavra "marca" ou "sinal" (gr. charagma) no Novo Testamento em grego, encontram-se no Livro do Apocalipse, e todas se referem à "marca da besta" (Ap 13.16,17; 14.9,11; 16.2; 19.20; 20.4). O Dr. Thomas explica o significado desse termo na Antigüidade:

A marca deve ser algum tipo de tatuagem ou estigma, semelhante às que recebiam os soldados, escravos e devotos dos templos na época de João. Na Ásia Menor, os seguidores das religiões pagãs tinham prazer em exibir essas tatuagens para mostrar que serviam a um determinado deus. No Egito, Ptolomeu IV Filopátor (221-203 a.C.) marcava com o desenho de uma folha de trevo os judeus que se submetiam ao cadastramento, simbolizando a servidão ao deus Dionísio (cf. 3 Macabeus 2.29). Esse significado lembra a antiga prática de usar marcas para tornar pública a fé religiosa do seu portador (cf. Isaías 44.5), e também a prática de marcar os escravos a fogo com o nome ou símbolo de seu proprietário (cf. Gl 6.17). O termo charagma ("marca") também era usado para designar as imagens ou nomes dos imperadores, cunhadas nas moedas romanas e, portanto, poderia muito bem aplicar-se ao emblema da besta colocado sobre as pessoas.[2]

Alguns se perguntam por que foi usado um termo tão específico para designar a marca do Anticristo. Essa marca parece ser uma paródia do plano de Deus, principalmente no que se refere aos 144.000 "selados" de Apocalipse 7. O selo de Deus sobre Suas testemunhas muito provavelmente é invisível e tem o propósito de protegê-las do Anticristo. Por outro lado, o Anticristo oferece proteção contra a ira de Deus – uma promessa que ele não tem condições de cumprir – e sua marca é visível e externa. Como os que receberem a marca da besta o farão voluntariamente, é de supor que as pessoas sentirão um certo orgulho de terem, em essência, a Satanás como seu dono. O Dr. Thomas afirma: "A marca será visível e identificará todos os que se sujeitarem à besta".[3]

Uma Identificação Traiçoeira

Verificação da identidade pela leitura da íris. O Anticristo fará uso da moderna tecnologia.

Além de servir como indicador visível da devoção ao Anticristo, a marca será a identificação obrigatória em qualquer transação comercial na última metade da Tribulação (Ap 13.17). Este sempre foi o sonho de todos os tiranos da história – exercer um controle tão absoluto sobre seus vassalos a ponto de decidir quem pode comprar e quem pode vender. O historiador Sir William Ramsay comenta que Domiciano, imperador romano no primeiro século, "levou a teoria da divindade Imperial ao extremo e encorajou ao máximo a ‘delação’; [...] de modo que, de uma forma ou de outra, cada habitante das províncias da Ásia precisava demonstrar sua lealdade de modo claro e visível, ou então era imediatamente denunciado e ficava impossibilitado de participar da vida social e de exercer seu ofício".[4] No futuro, o Anticristo aperfeiçoará esse sistema com o auxílio da moderna tecnologia.

Ao longo da história, muitos têm tentado marcar certos grupos de pessoas para o extermínio, mas sempre houve alguns que conseguiram achar um meio de escapar. Porém, à medida que a tecnologia avança, parece haver uma possibilidade cada vez maior de bloquear praticamente todas as saídas. Essa hipótese é reforçada pelo emprego da palavra grega dunétai – "possa" (Ap 13.17), que é usada para transmitir a idéia do que "pode" ou "não pode" ser feito. O Anticristo não permitirá que alguém compre ou venda se não tiver a marca, e o que possibilitará a implantação desta política será o fato da sociedade do futuro não usar mais o dinheiro vivo como meio de troca. O controle da economia, ao nível individual, através da marca, encaixa-se perfeitamente no que a Bíblia diz a respeito do controle do comércio global pelo Anticristo, delineado em Apocalipse 17 e 18.

A segunda metade de Apocalipse 13.17 descreve a marca como "o nome da besta ou o número do seu nome". Isso significa que "o número do nome da besta é absolutamente equivalente ao nome, [...]. Essa equivalência indica que, como nome, ele é escrito com letras; mas, como número, é o análogo do nome escrito com algarismos".[5] O nome do Anticristo será expresso numericamente como "666".

Calculando o Número

O Anticristo não permitirá que alguém compre ou venda se não tiver a marca, e o que possibilitará a implantação desta política será o fato da sociedade do futuro não usar mais o dinheiro vivo como meio de troca.

Nesse ponto da profecia (Ap 13.18), o apóstolo João interrompe momentaneamente a narrativa da visão profética e passa a ensinar a seus leitores a maneira correta de interpretar o que havia dito. Uma leitura do Apocalipse demonstra claramente que os maus não entenderão o significado, porque rejeitaram a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Por outro lado, os demais que estiverem atravessando a Tribulação receberão sabedoria e entendimento para que possam discernir quem é o Anticristo e recusar a sua marca. A Bíblia deixa claro que aqueles que receberem a marca da besta não poderão ser salvos (Ap 14.9-11; 16.2; 19.20; 20.4) e passarão a eternidade no lago de fogo. O fato de João usar essa passagem crucial para transmitir sabedoria e entendimento aos crentes, com relação a um assunto de conseqüências eternas, mostra que Deus proverá o conhecimento necessário para que o Seu povo possa segui-lO fielmente.

Mas o que essa sabedoria e esse conhecimento permitem que os crentes façam? A passagem diz que podemos "calcular". Calcular o quê? Podemos calcular o número da besta.

O principal propósito de alertar os crentes sobre a marca é permitir que eles saibam que, quando em forma de número, o "nome" da besta será 666. Assim, os crentes que estiverem passando pela Tribulação, quando lhes for sugerido que recebam o número 666 na fronte ou na mão direita, deverão rejeitá-lo, mesmo que isso signifique a morte. Outra conclusão que podemos tirar é que qualquer marca ou dispositivo oferecido antes dessa época não é a marca da besta que deve ser evitada.

Portanto, não há motivo para os cristãos de hoje encararem o número 666 de forma supersticiosa. Se o nosso endereço, número de telefone ou código postal incluem esse número, não precisamos ter medo de que algum poder satânico ou místico nos atingirá. Por outro lado, temos que reconhecer que muitos ocultistas e satanistas são atraídos por esse número por sua conexão com a futura manifestação do mal. Porém, o número em si não tem poderes sobrenaturais. Quando um crente acredita nisso, já caiu na armadilha da superstição. A Bíblia ensina que não há nenhum motivo para atribuir poderes místicos ao número 666.

A Carroça na Frente dos Bois

Muitos têm tentado descobrir a identidade do Anticristo através de cálculos numéricos. Isso é pura perda de tempo. A lista telefônica está cheia de nomes que poderiam ser a solução do enigma, mas a sabedoria para "calcular" o nome não é para ser aplicada agora, pois isso seria colocar a carroça adiante dos bois. Esse conhecimento é para ser usado pelos crentes durante a Tribulação.

Em 2 Tessalonicenses 2, Paulo ensina que, durante a presente era da Igreja, o Anticristo está sendo detido. Ele será "revelado somente em ocasião própria" (v.6). Ao escolher a palavra "revelado", o Espírito Santo quis indicar que a identidade do Anticristo estará oculta até a hora de sua revelação, que ocorrerá em algum momento após o Arrebatamento da Igreja. Portanto, não é possível saber quem é o Anticristo antes da "ocasião própria". O Apocalipse deixa bem claro que os crentes saberão na hora certa quem é o Anticristo.

Como apontamos acima, o Apocalipse não deixa dúvida de que durante a Tribulação todos os crentes saberão que receber a marca da besta será o mesmo que rejeitar a Cristo. Durante a Tribulação, todos os cristãos terão plena consciência disso onde quer que estejam. Nenhuma das hipóteses levantadas no passado, ou que venham a ser propostas antes da Tribulação, merece crédito.

Apocalipse 13.17-18 diz claramente que o número 666 será a marca que as pessoas terão que usar na fronte ou na mão direita. Em toda a história, ninguém jamais propôs a utilização desse número em condições semelhantes às da Tribulação, de modo que todas as hipóteses já levantadas a respeito da identidade do Anticristo podem ser descartadas.

O mais importante nessa passagem é que podemos nos alegrar em saber que a identificação do futuro falso Cristo ainda não é possível, mas o será quando ele ascender ao trono. Com certeza, aquele a quem o número 666 se aplica é alguém que pertence a uma época posterior ao período em que João viveu, pois ele deixa claro que alguém iria reconhecer esse número. Se nem a geração de João nem a seguinte foi capaz de discerni-lo, isso significa que a geração que poderá identificar o Anticristo forçosamente estava (e ainda está) no futuro. No passado, houve várias figuras políticas que tipificaram características e ações desse futuro personagem, mas nenhum dos anticristos anteriores se encaixa perfeitamente no retrato e no contexto do Anticristo do final dos tempos.[6]

A Relação entre Tecnologia e a Marca da Besta

Muitos têm feito as mais variadas hipóteses sobre a marca da besta. Alguns dizem que ela será como o código de barras utilizado para identificação universal de produtos. Outros imaginam que seja um chip implantado sob a pele, ou uma marca invisível que possa ser lida por um scanner. Contudo, essas conjeturas não estão de acordo com o que a Bíblia diz.

A marca da besta – 666 – não é a tecnologia do dinheiro virtual nem um dispositivo de biometria. A Bíblia afirma de forma precisa que ela será:

  • a marca do Anticristo, identificada com sua pessoa
  • o número 666, não uma representação
  • uma marca, como uma tatuagem
  • visível a olho nu
  • sobre a pele, e não dentro da pele
  • facilmente reconhecível, e não duvidosa
  • recebida de forma voluntária; portanto, as pessoas não serão ludibriadas para recebê-la involuntariamente
  • usada após o Arrebatamento, e não antes
  • usada na segunda metade da Tribulação
  • necessária para comprar e vender
  • recebida universalmente por todos os não-cristãos, mas rejeitada pelos cristãos
  • uma demonstração de adoração e lealdade ao Anticristo
  • promovida pelo falso profeta
  • uma opção que selará o destino de todos os que a receberem, levando-os ao castigo eterno no lago de fogo.

A marca da besta é uma opção que selará o destino de todos os que a receberem, levando-os ao castigo eterno no lago de fogo.

Talvez na história ou na Bíblia nenhum outro número tenha atraído tanto a atenção de cristãos e não-cristãos quanto o "666". Até mesmo os que ignoram totalmente os planos de Deus para o futuro, conforme a revelação bíblica, sabem que esse número tem um significado importante. Escritores religiosos ou seculares, cineastas, artistas e críticos de arte fazem menção, exibem ou discorrem a respeito dele. Ele tem sido usado e abusado por evangélicos e por membros de todos os credos, tendo sido objeto de muita especulação inútil. Freqüentemente, pessoas que se dedicam com sinceridade ao estudo da profecia bíblica associam esse número à tecnologia disponível em sua época, com o intuito de demonstrar a relevância de sua interpretação. Mas, fazer isso é colocar "a carroça na frente dos bois", pois a profecia e a Bíblia não ganham credibilidade ou legitimidade em função da cultura ou da tecnologia.

Conclusão

O fato da sociedade do futuro não utilizar mais o dinheiro vivo será usado pelo Anticristo. Entretanto, seja qual for o meio de troca substituto, ele não será a marca do 666. A tecnologia disponível na época da ascensão do Anticristo será aplicada com propósitos malignos. Ela será empregada, juntamente com a marca, para controlar o comércio (como afirma Apocalipse 13.17). Sendo assim, é possível que se usem implantes de chips, tecnologias de escaneamento de imagens e biometria para implementar a sociedade amonetária do Anticristo, como um meio de implantar a política que impedirá qualquer pessoa de comprar ou vender se não tiver a marca da besta. O avanço da tecnologia é mais um dos aspectos que mostram que o cenário para a ascensão do Anticristo está sendo preparado. Maranata! (Thomas Ice - Pre-Trib Perspectives - http://www.chamada.com.br)

  1. Robert L. Thomas, Revelation 8-22: An Exegetical Commentary (Chicago: Moody Press, 1995), pp. 179-80.
  2. Thomas, Revelation 8-22, p. 181.
  3. Thomas, Revelation 8-22, p. 181.
  4. Sir William Ramsay, The Letters to the Seven Churches (New York: A. C. Armstrong & Son, 1904), p. 107.
  5. Thomas, Revelation 8-22, p. 182.
  6. Thomas, Revelation 8-22, p. 185.

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, janeiro de 2004.

Pastor Eduardo Alves- Valley Cathedral Church - Arizona
Isaías 6:7-9 "e com a brasa tocou-me a boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado o teu pecado. Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Disse, pois, ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis."
 
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Na onda de Cristo

Sociedade
Edição 271 - 24/07/2003

ESPECIAL

Na onda de Cristo

Afiada na linguagem dos jovens, a igreja evangélica Bola de Neve Church cresce pregando curas milagrosas e sexo somente depois do casamento
CRISTIANE SEGATTO

 

Fotos: Fabiano Accorsi/ÉPOCA
ÍCONES Com a Bíblia na mão e a prancha de surfe à vista, o pastor Rina prega o Evangelho com os métodos dos neopentecostais

Volta e meia uma mãe desconfiada invade os domínios do pastor evangélico Rinaldo de Seixas Pereira, de 31 anos, louca para desmascarar a balada que o filho anda curtindo com a desculpa de freqüentar uma igreja. Mal consegue disfarçar a surpresa quando avista o pranchão de longboard colocado sobre o púlpito da Bola de Neve Church, um templo onde reggae, surfe e pregação se confundem. A igreja da galera cresce no Brasil de carona na tendência de especialização das agremiações evangélicas, conforme explica o pastor batista Ariovaldo Ramos, diretor da Faculdade Latino-Americana de Teologia Integral. Em um esforço de diferenciação, igrejas emergentes procuram públicos cada vez mais específicos.

A Bola de Neve Church cresceu 1.100% nos últimos 2 anos e já está presente em 8 cidades brasileiras

Criada por um surfista formado em propaganda e marketing, a Bola de Neve pretende converter espíritos indomáveis - surfistas, skatistas, drogados, malhadões e gatinhas - em tranqüilos servos de Deus (e da igreja), dispostos a abandonar vícios e abrir mão do sexo antes do casamento. A receita: música, telões que exibem cenas de esportes radicais, festas em casas noturnas (regadas a refrigerante), cultos superemocionados e linguagem para lá de informal.

'Vocês já viram uma igreja com tanta balada?', pergunta à platéia o pastor Rinaldo, vestido de calça jeans e tênis. A maioria do rebanho de 'Rina', como é chamado, tem entre 15 e 30 anos. Os 1.200 fiéis lotam o maior dos templos, inaugurado no início de julho em Perdizes, bairro paulistano de classe média. Nascida de uma reunião de amigos há dez anos, já com ambição de virar avalanche, a Bola de Neve avolumou-se. Nos últimos dois anos, o número de membros da igreja pulou de 250 para 3 mil em todo o país. Eles se cadastram formalmente e pagam o dízimo (10% da renda mensal). Freqüentadores esporádicos estão fora dessa conta. Já existem sedes em Boiçucanga e Peruíbe, no litoral paulista; Florianópolis, em Santa Catarina; e Itacaré, na Bahia. Na cidade baiana de 20 mil habitantes, a Bola de Neve ocupa um casarão antigo, ao lado da igreja católica. Pastor e padre vivem às turras, e a fama da evangélica se espalha. Grupos menores funcionam em Itanhaém e Santos, São Paulo; em Laguna, Santa Catarina; em Niterói, Rio de Janeiro; e em Salvador, Bahia. Osurfista Dadá Figueiredo, um dos mais importantes nomes do esporte nos anos 80, está prestes a inaugurar uma célula na Barra da Tijuca, no Rio. Embriões da igreja brotarão em breve em Huntington Beach, na Califórnia, e até mesmo no Havaí.

Fotos: Fabiano Accorsi/ÉPOCA
''Alguém aqui ainda escuta os Beatles? Não. Mas Jesus continua sendo capa de revista''
Pastor Rinaldo de Seixas Pereira

Arrastar adeptos em potencial para os cultos em que decotes e bíceps à mostra são aceitos é tarefa de gente como o fisiculturista Enzo Perondini Filho, de 40 anos, vencedor do Campeonato Brasileiro de Musculação Atlética no ano passado. Vítima de anabolizantes que lhe provocaram um câncer no fígado, Perondini recebeu uma previsão de três meses de vida em 1998. Mas a doença estacionou. O fiel, que se considera curado por Deus, percorre o circuito das academias de ginástica em busca de ovelhas como a modelo Cida Marques, conhecida pelos seios fartos exibidos nas revistas masculinas, e Monique Evans, apresentadora do apimentado Noite Afora, da RedeTV!, um mosaico de cenas de sexo com depoimentos de strippers e garotos de programa.

#Q#

Aos 47 anos, Monique freqüenta a igreja desde o início de 2002. Tem a Bíblia toda anotada e engaja-se em altas discussões religiosas. Nesta segunda-feira, três dias depois de firmar o compromisso no civil, vai casar-se com o publicitário Guga Sander, de 29 anos, em uma cerimônia conduzida pelo pastor Rina. O casal juntou as escovas de dentes há dois anos, mas agora decidiu receber a bênção. 'Encontrei o meu varão e o pastor nos fez perceber que não podemos dar brecha ao demônio', conta Monique. Ainda que dividindo a mesma cama, os pombinhos encaram um jejum sexual como preparação para o grande dia. 'Estamos em santidade há quatro meses e a dedicamos a Deus', declara a apresentadora. Cada vez mais envolvida com a igreja, Monique revela que pretende mudar o foco de sua carreira na TV. Ocontrato com a emissora vencerá em maio de 2004 e, até lá, ela deve continuar falando sobre sexo. Mas seu plano B é criar um programa para aproximar casais cristãos.

Fotos: Fabiano Accorsi/ÉPOCA
Roberto Setton/ÉPOCA
RITUAL Os cultos terminam com uma catarse coletiva (à esq.), que emociona a universitária Viviane Silva (centro) e faz a apresentadora Monique Evans sentir presença de Deus

O espírito casamenteiro caracteriza a Bola de Neve e é incentivado pelo pastor Rina, que não mede palavras e esforços para ver seu rebanho crescer e se multiplicar. Sexo, segundo ele, é a união espiritual de dois corpos. Por isso, só deve ser praticado dentro do casamento. Nos cultos, Rina promove matrimônios coletivos e abençoa cada casal em menos de cinco minutos. A informalidade dá o tom. 'Estou me sentindo um padre mexicano fazendo um casamento a jato para a galera ganhar visto', brincou no culto do domingo 20. Quando celebra um noivado, dispara: 'Pode dar um selinho básico, afinal, ainda não estão casados'.

''Durante a overdose, pedi uma chance a Deus. Entendo como agem os demônios''
Denise Gouveia Pereira, cantora e professora de bodyboarding

Mais do que a possibilidade de encontrar a alma gêmea, a moçada que freqüenta a igreja - como o jogador de futebol Cris, hoje no Cruzeiro, e Rodolfo, ex-líder da banda Raimundos - é atraída pela descontração e pelo ambiente amistoso. A seqüência esperta da celebração também ajuda a manter a casa cheia. O público é recebido pela banda liderada pela professora de bodyboarding Denise Gouveia Pereira, de 30 anos, casada com Rina. A bela loira, sobrevivente de uma overdose de cocaína, canta hinos em ritmo de reggae e rock durante uma hora. As letras dos louvores são projetadas em um telão e a iluminação é reduzida nos níveis de uma danceteria. É hora de deixar a molecada soltar os bichos com gritos e saltos. No fim do último número, o pastor toma a cena e aproveita os acordes graves para soltar uma voz cavernosa que parece saída das trevas. Mantém os olhos fechados e fala palavras incompreensíveis, parte do ritual no qual são esperadas manifestações sobrenaturais, curas milagrosas e o dom de falar em línguas não-identificáveis. Depois da pregação, as pessoas estão tão sugestionadas pela voz poderosa e pela repetição de orações em voz alta que acabam tomadas por euforia e emoção, choram, levantam as mãos para os céus, pedem perdão, fazem súplicas. Ao final do culto, sentem-se renovadas e atribuem o fenômeno a um estreitamento dos laços com Jesus. Como em qualquer culto neopentecostal, o pastor lança petardos contra a homossexualidade ('A mídia quer que a sociedade ache normal ver duas meninas se beijando') e as religiões afro-brasileiras ('Se alguém questionar o dízimo que você dá para a igreja, pergunte quanto essa pessoa deixa na mão do pai-de-santo').

PALAVRA A modelo Cida Marques (à esq.) freqüenta a igreja há seis meses e diz que não voltará a posar nua. No centro, o dízimo, e à direita, o fisiculturista Enzo Perondini, que de bad boy só tem a cara

No quesito das ofertas, porém, a Bola de Neve parece mais comedida do que as concorrentes. Nada de envelopinhos para pressionar os fiéis a doar valores estipulados ou quadros que denunciam quem atrasou o dízimo. Os freqüentadores são convidados a depositar quanto quiserem em uma urna e a contribuir com o dízimo mensalmente. Evangélica desde a infância, a estudante de comunicação social Viviane Constante da Silva, de 19 anos, entrega à igreja 10% de seu salário de telefonista. 'Com grande prazer, porque aqui eu me sinto em casa. Sou evangélica desde criança.' Ela conta que freqüentava outras igrejas por reverência a Deus, mas não tinha acesso aos pastores. 'Aqui eu posso procurar o Rina se tenho algum problema, porque ele sabe quem eu sou', diz.

O dízimo da rapaziada financia a expansão da igreja, mas ainda não fez o pastor enriquecer, como ocorre com muitos líderes religiosos. Rina, Denise e o filho dela, Nathan, de 9 anos, vivem em um apartamento alugado em Perdizes. Como qualquer outro casal de classe média que almeja um financiamento imobiliário, andam cortando despesas. A academia que freqüentavam reajustou os preços e foi eliminada do orçamento. Rina também não tem plano de saúde, ao contrário da mulher e do enteado, que chama de filho. 'Até poderia pagar a mensalidade, mas quis abrir mão disso para poder continuar dizendo que Deus cura enfermidades', explica. Ex-representante comercial de uma marca de surfwear, Rina chegou a ter uma renda três vezes superior ao salário de pastor que recebe hoje. Mas estava decidido a dedicar-se exclusivamente ao Evangelho desde 1992, quando uma overdose de cocaína, agravada pela hepatite C, deixou-o paralisado e cego por alguns instantes.

Com um aparato de comunicação que se resume a uma revistinha de 10 mil exemplares e a um programa diário na Rádio Musical FM, o pastor está a anos-luz de um Edir Macedo. Tampouco almeja esse status. Rina assistiu a um culto da Universal do Reino de Deus há dez anos e não gostou da ênfase dada aos dízimos e ofertas. 'Não pretendo construir um império', afirma. 'Se a Bola de Neve crescer, terá sido conseqüência do trabalho de todos nós.' No próximo dia 4, um banho coletivo selará a entrada de dezenas de almas para a nova igreja. O batismo não será na praia, onde tudo começou, mas na piscina do Clube Palmeiras, em São Paulo.

Pastor e Profeta, Leastro Robert, prega amanhã na Igreja Formosa de Cristo

O Pastor e Profeta Leastro Robert, com sua mensagem arrojada e avivada, irá pregar, amanhã, dia 05/12, terça-feira, na igreja Formosa de Cristo. Compareça vc e seus amigos para saber o que Deus tem reservado para sua vida.
 
Quem já o viu pregar sabe sabe que ele é fogo puro e que Deus o usa grandemente!
 
A igreja Formosa de Cristo fica na av. Monteiro Lobato, 454 (rua do canal), perto do Carrefour de São Vicente.
 
Nosso telefone de contato: (13) 3561.8370.
 
Te vejo lá.

Negócios da Fé

30/10/2006
 
ExpoCristã: A 5ª edição da feira recebeu mais de 100 mil visitantes, 350 expositores e movimentou R$ 50 milhões
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Negócios da Fé
ExpoCristã é vitrine do crescimento das igrejas neoevangélicas e do potencial de seus fiéis como mercado consumidor
Por Laila Mahmoud

Há pelo menos dez anos tem se acentuado um processo que chama atenção com relação aos neoevangélicos: sua organização. Cada vez mais próximos das hierarquias dos organogramas das empresas, eles se interessam por aspectos administrativos e gerenciais. E, para atingir esse mercado consumidor, gravadoras, agências de turismo, confecções, marcas de instrumentos musicais, emissoras de tv, rádios, editoras de livros sobre administração e qualidade na gestão foram montados. Todos ligados ao universo cristão.

De acordo com o último Censo Populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2000, os evangélicos são hoje cerca de 26 milhões ou 15,45% da população. Em 1991, eles eram cerca de 13 milhões ou 9,5% da população. Uma parcela desse universo consumidor e dos produtos neles focados estiveram na Expo Center Norte, em São Paulo, de 12 a 17 de setembro desse ano. O objetivo da feira era fechar negócios e esse público cada vez mais em expansão: o evangélico. Segundo a organização, foram mais de 100 mil visitantes nos seis dias de evento, cerca de 350 expositores e R$ 50 milhões movimentados.

Uma programação de palestras cujo intuito é a formação e o treinamento de líderes para aquele momento em que a igreja começa a crescer estava estruturada. Softwares para gerenciar fiéis, doações e atividades da igreja também foram comercializados na feira, que cresceu, segundo seu organizador, 17% (ou um pavilhão) em apenas um ano. Para ele, a tendência de crescimento do setor é grande, sobretudo pela inserção desse segmento no chamado mundo “secular” (não católico). “Hoje, dificilmente você vai ver uma grande rede de varejo sem um departamento gospel”, explica, afirmando que redes como Saraiva e Siciliano já estão abrindo espaços para esse tipo de produto.

A primeira edição do evento, explica o organizador, aconteceu há cinco anos e surgiu da necessidade de relacionar a indústria ao canal de distribuição. Para quem ainda duvida que esse mercado prometa em expansão – já que há um crescimento de 8% ao ano no mercado consumidor brasileiro, com a abertura de cerca de 14 mil novas igrejas por ano – tem nos números norte-americanos um reforço no argumento. Isso porque, lá, a feira tem 52 anos.

Há mercados em franca expansão. O de livrarias, por exemplo, conta com uma Associação Brasileira de Editoras Cristãs, a ABEC, que reúne cerca de 80 editoras, e uma Associação Nacional de Livrarias Evangélicas (ANLE), com cerca de 1500 pontos de venda. Além da parte editorial, o mercado de instrumentos e gravadoras é outro que já está diretamente relacionado ao jeito de ser evangélico. Estima-se que, de cada 3 instrumentos fabricados vendidos, 2 são para os músicos formados entre esses fiéis e seus chamados “Ministérios de Louvores”, nome dado aos seus conjuntos musicais que tocam letras com teor religioso. Rádios, jornais, e canais de televisão também surgem, casos da TV Palavra, da Rede Novo Tempo. Isso sem esquecer que a TV Record, hoje muitas vezes segundo lugar nos picos de Ibope, é ligada a uma neopentecostal, a igreja Universal do Reino de Deus. O traquejo com a tecnologia já é uma realidade e hoje é possível contar com a transmissão de cultos pela internet.

O leigo que imagina encontrar em uma feira cristã os já conhecidos artigos como óleos de unções para os rituais, roupas religiosas e até púlpitos também se surpreende. Eles estavam presentes, só que, muitas vezes, com uma cara inovadora: havia até púlpitos de acrílico néon. A moda cristã já apresenta outra cara e são vendidas de bijouterias explorando os símbolos evangélicos (como o peixe e a estrela de Davi, símbolo judaico também assimilado pelos cristãos, como eles, leitores do Antigo Testamento) a roupas. Eliane Daithsehman, responsável pelo estande, explica que a idéia das roupas, jaquetas e bijouterias é a de “passar as mensagens através de coisas bacanas” e cita, como exemplo, uma sunga para surfistas com a inscrição “Escolhido por Deus”. Mas as pessoas das várias e diferentes igrejas compram? “Na verdade, Deus é um só”, afirma a vendedora. Há menos de um ano no mercado, essa é a primeira aparição da empresa na feira.

Livros religiosos também são bastante consumidos. Parte dos títulos não são muito diferentes dos que encabeçam as listas dos mais vendidos no chamado mundo “secular”, mas com uma pitadinha de fé e figuras religiosas. É o que se pode notar ao ver os títulos de livros como “Plano Mestre de Evangelismo”, “Administração segundo a Bíblia” e “O senhor dos Anéis e a Bíblia”.

A promessa das vendas parece ser o “Contrate Preguiçosos”, livro de Eduardo Cupaiolo, da Editora Mundo Cristão. Segundo explica no estande Mazelle Borges, do departamento de marketing da editora, há livros que fazem sucesso até com o público católico, caso do título “O poder da esposa que ora”, de Sotrmie Omezian. A divulgação é feita no boca-a-boca mesmo,

Alguns livros do catálogo, contudo, deixariam os não evangélicos de cabelos em pé. É o caso de “A Batalha de Toda Mulher”, de Shannon Elhrilge que, segundo a contracapa, é um guia para mulheres sobre como vencer as “tentações sexuais”, que assegura que vai deixá-las imunes aos perigos do “primeiro pensamento impróprio”. Obviamente, Freud, ainda que considerado ultrapassado por muitos, passaria longe do catálogo da editora.

Caminhar por determinados espaços da feira é, antes de tudo, um teste para os ouvidos. É o caso de quem passa pela frente de um dos estandes que exibem sermões do pastor Silas Malafaia, o da Editora Central Gospel. O vídeo chamava-se “A Ação de Deus e as potencialidades humanas” e, nele, o pastor repetia, aos berros, máximas como “Amar a Deus, antes de tudo, é uma decisão”. Decisão feita em tom de ordem para um público carioca atento. Malafaia é, segundo a caixa do DVD, “Psicólogo, conferencista internacional, professor de teologia nas cadeiras de evangelismo pessoal e síntese do antigo testamento”. Esteve presente na feira também e, com o mesmo vigor, gritava máximas para um público atento.

Há espaço para uma série de organizações e entidades cujo cunho é filantrópico e assistencialista. A Star of Hope, por exemplo, é uma ONG que atua há cinquenta anos, levando uma ambulância-consultório-móvel de creche em creche. Eles estavam na feira a procura de empresários que investissem no projeto “e que podem, com isso, ter abatimento no imposto de renda”. A contribuição poderia ser do tipo da feita pela Escandinávia, que doou uma ambulância.

Jovens: Entre os principais fiéis - e consumidores - nas igrejas mais novas

Existem instituições de ensino superior nesse meio também. É o exemplo da Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Com cursos que vão do aconselhamento Pastoral, passando por Bacharel em Teologia e Bacharel em Música Sacra, a escola forma 20 pastores por ano e de 45 a 50 “ministros de música”. A instituição, que fica em um prédio na Rua João Ramalho, ao lado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, ainda aguarda o reconhecimento oficial do MEC e tem hoje 500 alunos. Mas a idéia é aumentar e, para isso, foi feito um investimento de R$ 600 mil na estrutura do prédio. A expectativa é que sejam gastos, em 6 anos, cerca de R$ 1 milhão para que o total de alunos passe a 700. A mensalidade da graduação custa R$ 467 mensais e a dos cursos especiais varia de R$ 70 a R$ 120.

Lourenço Stélio Rega, diretor geral da instituição, explica que a ligação dos ensinamentos do Antigo Testamento e o mundo corporativo estão relacionadas com as práticas consideradas hoje modernas. E exemplifica: “Moisés ensinou um modelo de liderança descentralizada”. Mas não acredita que as igrejas estejam se profissionalizando em seus processos decisórios “Na verdade, as empresas é que parecem com a gente”.

Sobre sua opinião sobre a feira e a venda de produtos católicos, Rega considera que “há produtos e produtos”. Para ele, se são livros, bíblias, programas de computador, “material de aprendizado para construção”, não há nada de mais. Crítico contudo do modelo de recompensas pelo menor custo também na religião, Rega considera que “não dá para negociar com Deus”. “Achamos que esse tipo de produto tem de existir, mas não dá para dizer que comprando algo você vai ser abençoado”.

Segundo estudo recém-divulgado, realizado em dez países, entre eles Brasil, Estados Unidos, Chile, Guatemala, Quênia, Nigéria, África do Sul, Índia, Filipinas e Coréia do Sul, os movimentos “renovacionistas” estão com tanta força que os evangélicos e católicos carismáticos já formam 49% da população brasileira dos grandes centros urbanos. São elas, cuja expansão remete às décadas de 70 e 80 (como Igreja Universal do Reino de Deus e Renascer em Cristo) que apresentam modelos de gestão nos moldes empresariais, bem como têm grande intimidade com o uso da mídia.

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30/10/2006
 
Maurício Soares, diretor comercial da Line Records: 30 mil cópias do novo CD de Robinson vendidas no primeiro dia, R$ 2 milhões para novos títulos no ano


Vocação Musical

Na música, além da força do mercado de instrumentos, os “Ministérios de Louvor” se profissionalizaram de tal maneira que não é pequeno o número de gravadoras no meio e, em alguns casos, o de suas vendas. Como exemplos, é possível citar as gravadoras da Igreja Universal do Reino de Deus, a da Igreja Batista da Lagoinha e, agora, mais recentemente, a da Igreja Bola de Neve. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), as gravadoras evangélicas não reportam o número de discos vendidos, mas, na preferência do consumidor, eles aparecem como os primeiros para 10% dos compradores.

A Line Records, por exemplo, gravadora ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, está há 15 anos no mercado. Para a feira, trouxe 23 lançamentos somados ao seu catálogo de 250 CD’s e DVD’s. Entre os lançamentos, o cantor popular Robinson Monteiro, sucesso em 2001 no Programa de calouros Raul Gil, que vendeu um milhão e meio de cópias.

Segundo Maurício Soares, diretor comercial da Line, a gravadora cresceu 26% do seu faturamento de 2004 para 2005, isto é, algo em torno de R$ 50 milhões. Para os 50 títulos lançados no ano anterior, foram direcionados R$ 2 milhões, 12% a mais sobre o investimento de 2005, o que a empresa espera ver refletido em um aumento de pelo menos 15% nas vendas. Somente no cantor Robinson, foram investidos R$ 500 mil. Dentre outros nomes do catálogo estão a também “ex-Raul Gil” Jamile e a apresentadora Mara Maravilha. “Todos eles venderam pelo menos 100 mil cópias”, explica Soares. Só Robinson, explica, atingiu a marca em 30 dias. Para se ter uma idéia, na feira, no dia anterior à entrevista, o diretor comercial afirma ter vendido 30 mil cópias de novo CD do cantor.

Soares afirma que hoje há cerca de 7 milhões de membros da Igreja Universal do Reino de Deus no Brasil, mas que estão espalhados em 50 países. A maior vendagem da gravadora até hoje foi a do Bispo (agora licenciado, atual senador e candidato derrotado no primeiro turno ao governo do Rio de Janeiro) Marcelo Crivella, cuja distribuição foi feita pela Sony e vendeu 1,6 milhão de cópias. Além disso, 2% da produção já está sendo exportada para países como Estados Unidos e Portugal, bem como discos em espanhol estão sendo produzidos para sair até o final de 2007, caso do álbum da cantora Soraya Moraes. A empresa já está também no ramo de ringtones (toques de celular), negocia com Chile, Japão, Equador e Porto Rico e, em um ano e meio, pretende estar com seu portal para a comercialização de mp3 via internet.

Número vasto de compradores e intimidade com a tecnologia também são emblemáticas da Igreja Batista da Lagoinha. Foi lá que nasceu a Diante do Trono, gravadora que arrasta multidões para seus shows em estádios (2 milhões no Campo de Marte, em São Paulo, 1,1 milhão no Maracanã), já está em seu nono CD, gravado em Belém do Pará. Embora com um discurso profissional e de otimização de gestão, os membros da Diante do Trono, o “Ministério de Louvor e Adoração”da Igreja (que conta com cerca de 100 integrantes) não falam em cifras. Novos lançamentos? Também, segundo eles, não dá para saber. O que se sabe é que Ana Paula Valadão Bessa, cantora, compositora e filha do pastor Márcio Valadão, à frente de grande parte dos CDs e shows, é a responsável por eles. “Deus que traz para ela as mensagens, por que gravar, ela que traz as músicas e compõe”, justifica Iana Coimbra, assessora de marketing e comunicação da Diante do Trono. São 20 títulos em catálogo, 5 deles para crianças. Já foram vendidos 5 milhões de CD’s do último sucesso, com o nome “Por amor de ti, oh Brasil”, gravado ao vivo em Belém do Pará. No primeiro dia após o lançamento a gravadora (que não gosta de ser chamada assim, mas que legalmente funciona como tal, com escritório e tudo o mais) vendeu 126 mil cópias.

Ainda que as cifras não sejam divulgadas, os números apontam um mercado importante. Os CDs são vendidos a R$ 16,90 no varejo e a Diante do Trono defende que os lucros são todos reinvestidos em novos produtos e nos trabalhos da igreja, já que os artistas abrem mão de seus direitos. Nos megashows, Iana assegura que a entrada é sempre gratuita ou é cobrado um quilo de alimento.

“Há dez anos se achava que o evangélico tinha mal-gosto musical. A proposta da Diante do Trono é excelência. Só tocamos com músicos profissionais”, explica Iana, uma jovem de 23 anos formada em jornalismo e pós-graduada em marketing, dançarina nas apresentações e membro do Ministério desde os 14 anos. Ela explica que o “Ministério de Louvor Diante do Trono” conta com uma “house de criação” com 3 designers e que toda a profissionalização das atividades da Igreja, movimento ocorrido sobretudo nos últimos dez anos, nada mais é que um reflexo da mudança do perfil do evangélico. “Ele está cada vez mais exigente com a qualidade”. Segundo a jovem, a Diante do Trono tem um trabalho organizacional que se compara ao de qualquer empresa, com metas trimestrais de venda e de posicionamento da marca a serem atingidas. A diferença é que a “missão” da empresa é, para eles, uma missão de fato, na acepção menos laica do termo.

Ainda que sejam uma igreja, não fazem doações exceto para os projetos sociais que acontecem em outros países, tais como Polônia e Albânia, e distribuído por missionários. “As pessoas acham que a gente comercializa a fé, mas abençoamos vidas. E estamos dentro do sistema capitalista”, afirma Iana. A busca pela qualidade acabou gerando até parcerias como com os designers de uma famosa grife mineira não-evangélica para a confecção das camisetas da grife Amém (veja foto). A empresa também possui um shopping virtual onde vendem, além dos CDs e DVDs, brinquedos, bonés, camisetas, cadernos, lancheiras, mochilas e livros.

Ainda começando na área, mas já de olho no potencial do mercado fonográfico evangélico, está também a Bola Music, gravadora ligada à igreja Bola de Neve, conhecida como igreja dos surfistas e comandada por Rinaldo Luiz de Seixas Pereira, 34 anos, o Pastor Rina. Segundo ele, que acompanha todas as gravações pessoalmente, a idéia da gravadora surgiu em 2003, já que sua própria mulher, a pastora Denise Gouveia de Seixas Pereira, compunha as músicas com letras de exaltação religiosa chamadas louvores, que foram então gravadas e distribuídas pelas diversas igrejas espalhadas em São Paulo e pelo País. “Ele então foi parar em vários lugares do Brasil e até a tocar em rádio sem sabermos”, conta o pastor. “A gravadora teve que se organizar para tornar legal esse comércio”, explica Rina. Segundo ele, todos os artistas são amigos da Igreja de já algum tempo.

Iana Coimbra, assessora de marketing e comunicação da Diante do Trono: house de criação, 2 milhões de espectadores no Campo de Marte e shopping virtual

Rodolfo Abrantes, por exemplo, ex-Raimundo, Rodox e Sara Nossa Terra, freqüenta a igreja em Balneário Camboriú e viaja o País para dar testemunhos de fé. Rina afirma que sua música toca até em rádios não-cristãs e defende que a quebra de tais limites seja uma tendência. O primeiro CD vendido, o “Te Vejo Pai”, da Tribo de Louvor, teve a primeira tiragem de 10 mil unidades, mil delas comercializadas na feira e outras quatro mil já vendidas. A produção, de acordo com a demanda, tem previsão de, até o final do cano, contar com 16 títulos ao todo.

Hoje, a Bola de Neve conta com 10 mil fiéis só em SP, 2 mil a mais que em 2005 e 50 vezes mais que em 2000, quando a igreja surgiu. Segundo Rina, há ainda mais pelo menos 6 mil pessoas em 26 igrejas bem menores espalhadas pelo país, tanto no litoral quanto em outras cidades como Marília, Curitiba, Mogi das Cruzes e Brasília.

Além da distribuição de CDs e dos shows, cujo ingresso custa 15 reais mais um quilo de alimento para cobrir os custos, Rina lembra que a Bola de Neve pretende lançar no mês de outubro um site com rádio 24 horas e, no mês seguinte, um portal de e-commerce, no qual serão vendidos CDs, livros, Bíblias e será transmitida uma TV ao vivo. Apesar de todos os planos, o pastor afirma que não se trata de uma gravadora focada no lucro, “como outras gospel”, mas que se trata de um “agente abençoador”. Seja como for, os planos de Rina incluem Europa e Estados Unidos na rota de bençãos já no próximo ano, para onde pretendem exportar de 15% a 20% da produção. Os CDs serão vendidos entre R$ 20 a R$ 22 nos pontos finais de venda, conforme a previsão da gravadora.

Flavia Machado, gerente de vendas da gravadora, contabiliza no catálogo, além dos citados Rodolfo e Tribo de Louvor, a Banda Ruth’s (só com mulheres, cuja vocalista é a própria mulher do pastor Rina), Catalau (ex-banda de hard rock Golpe de Estado) e Nengo Vieira, cantor de reggae.

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Rodolfo Abrantes (ex-Raimundos), do catálogo da recém-lançada Bola Music


Turismo Evangélico

Outro filão pouco conhecido no mercado religioso é o de viagens com temas cristãos e paisagens bíblicas. É o que faz, por exemplo, a RSTravel. A empresa surgiu em 1992, em princípio atendendo também não evangélicos, explica Fernando Saito, um dos guias desses roteiros. Com o tempo, a empresa familiar foi se focando, uma vez que o pai já era evangélico da Assembléia de Deus e, desde 1994, a empresa se especializou no turismo de peregrinação, como são conhecidos os roteiros de visita à chamada terra santa. Um mercado que, segundo o Ministério do Turismo de Israel, aumentou 30% de janeiro a abril de 2006, levando 695 mil turistas a suas terras, 34% a mais que nos primeiros quatro meses do ano anterior.

Os números, contudo, até por questões geopolíticas, são inconstantes. Saito passou por maus bocados com a oscilação na venda dos pacotes e da possibilidade de concretizar a viagem em uma série de situações. Ele lamenta, por exemplo, ter feito parte do grupo que presenciou a visita de Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas em 28 de outubro de 2000, um dos estopins da Segunda Intifada, a revolta palestina contra a ocupação israelense.

Foi realizando cruzeiros para cristãos, entretanto, que o negócio viu uma grande oportunidade. Em 2001, com o cancelamento das viagens em decorrência do 11 de setembro, essa foi a solução encontrada para proporcionar a viagem de férias de um grupo de evangélicos. Mas Cruzeiro não é lugar de “axé music”, samba, pessoas alcoolizadas e um ambiente não muito chegado a orações?

Fernando Saito, da RS Travel Club: cruzeiros evangélicos

Esse foi o desafio da agência: fazer com que 270 evangélicos se sentissem à vontade numa viagem convencional de um cruzeiro para 1800 pessoas. Para isso, a presença de um pastor, a organização de reuniões, cultos e palestras durante o dia ajudou. Música? Sim, muita, mas a chamada “de louvor”. Dentre os principais freqüentadores dos pacotes de seu grupo, estão pessoas das igrejas Renascer, Assembléia de Deus de Madureira e Bola de Neve, “os mais animados”, segundo Saito.

Mas não há preconceito? Saito conta que na primeira viagem colocaram uma faixa de boas vindas próxima à piscina e algumas pessoas se ofenderam. Mas não é sempre assim. “As

pessoas usam salões para shows de mágica, de música e as atividades são alternadas para os que quiserem participar da programação normal do Cruzeiro, possam também”, explica. As viagens de cruzeiro giraram em 2006 R$ 480 mil reais e a expectativa da agência é que esse número cresça 20% no próximo ano. Em 2005, a agência levou 270 pessoas e, em 2006, pretendem ultrapassar esse número. A rota das viagens inclui Florianópolis e Buenos Aires.

Jesus quer voce do jeito que você é!

Jesus quer voce do jeito que você é! (um bom exemplo da bola!)

Fonte: http://comunicacaocrista.blogspot.com/

4.12.06

Dicas de presentes cristãos 1

DVD Kirk Whalum - The Gospel According To Jazz / Chapert II
Kirk Whalum | veja mais de Kirk Whalum

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DVD Kirk Whalum - The Gospel According To Jazz / Chapert II

O saxofonista Kirk Whalum apresenta a segunda parte do projeto "The Gospel According To Jazz" gravado ao vivo em Los Angeles. Nos extras você pode conferir uma entrevista com Kirk e o perfil dos músicos de sua banda.
 
Tempo: 114 minutos
Cor: Colorido
Ano de Lançamento: 2005
Recomendação: Livre
Região do DVD: Multi-Região
Legenda: Português, Inglês, Espanhol
Pais de Origem: EUA

 

John 1:1

El Todopoderoso

Seasons

Ta ta You Jesus

Thy Kingdom Come

Falling In Love With Jesus

Spirit Medley - Spirit Of The Living God/Sweet, Sweet Spirit/ Is Your

So Far, So Good!

No-Word Praise

Pass Me Not
 



AS PROVAÇÕES DE UM GUERREIRO - Novo Livro da Dra. Rebecca Brown

 
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As Provações de um Guerreiro
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3.12.06

Esqueça os Fatos Ruins

Meditação: … esquecendo-me das coisas que para trás ficam… (Filipenses 3:13)

 

Pensamento: Nossos maiores pecados e sofrimentos são os da mente. (Thomas Goodwin)

 

Mensagem:

Esqueça os Fatos Ruins

 

            Um homem que trabalhava há muitos anos em uma empresa vivia mau-humorado por saber que o seu trabalho nunca era reconhecido. Esse fato o tornara uma pessoa pessimista e de poucos amigos. Considerava-se um inútil e esperava ser mandado embora a qualquer momento.

            Porém, aquele homem teve um encontro com Jesus. Sua atitude diante do trabalho e da vida mudou radicalmente quando ele leu Filipenses 3:13,14: "… mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus".

            Ele sentiu Deus falar profundamente ao seu coração, concedendo-lhe otimismo e alegria. O Senhor restaurou as suas forças, fez com que ele superasse o complexo de interioridade e renovou a sua mente através da atuação do Espírito no seu coração, na sua vida.

            Se você estiver enfrentando alguma situação difícil; se você sente-se incapaz de solucionar o problema e pensa em desistir, deposite sua fé e confiança em Jesus, e pela fé você vencerá todos os obstáculos de sua vida. Confie em Deus. Ele está ao seu lado em todos os momentos de sua vida. Ore pedindo que o Senhor lhe dê forças neste dia, e aguarde a vitória.

 

FONTE:

Pr. Silas Malafaia /

Palavra de Vitória.



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"Pelo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento". (1º Coríntios 3:7)

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